11/09/2017

O cuidado real não pode ser ensinado a distância   

Artigo assinado pelo presidente do Coren-RS, Daniel Souza, foi publicado no Jornal Correio do Povo

Um cenário preocupante, que reflete a mercantilização do ensino e a proliferação de polos de educação a distância no Brasil: isso é o que mostra o Censo de Educação Superior 2016, divulgado recentemente pelo Ministério da Educação e que traça um panorama do ensino superior. Houve aumento de 21% de ingressos de alunos em modalidade de ensino a distância (EaD) e queda na modalidade presencial.

O EaD vem tomando espaço na formação de profissionais de áreas essenciais, como a Enfermagem. O Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS) combate duramente esse tipo de formação. A Enfermagem e os demais cursos da área da saúde exigem uma prática que só pode ser desenvolvida em aulas presenciais, com professores capacitados e estrutura física adequada, com laboratórios e campos de estágio.

A Enfermagem lida diretamente com a vida das pessoas. O cuidado, a empatia, a humanização e as competências técnicas são reais, não virtuais. E tudo isso não pode ser ensinado a distância.

Desde 2015, os Conselhos de Enfermagem vem realizando audiências públicas, mostrando à sociedade a importância do trabalho da categoria e a necessidade de uma formação de qualidade. No Rio Grande do Sul, as audiências ocorreram com o apoio da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) também realizou a Operação EaD, em parceria com os Conselhos Regionais, inspecionando 315 polos pelo país, constatando condições precárias de oferta nos cursos de Enfermagem a distância.

O Conselho Nacional de Saúde, em resolução de outubro de 2016, também posicionou-se contrário à autorização de cursos de graduação na área da saúde, ministrados totalmente na modalidade EaD, pelos prejuízos que podem oferecer à qualidade da formação e pelos riscos à sociedade.

O Coren-RS reafirma sua posição contrária à formação EaD na Enfermagem e apoia projetos de lei nesse sentido: o PL nº 2.891/2015, que tramita no Congresso Federal e proíbe a formação de enfermeiros e técnicos na modalidade não presencial e, em nível estadual, o PL nº 140/2017, que proíbe o funcionamento dos cursos de graduação e de formação de nível técnico da área da saúde na modalidade EaD, na sua totalidade.

 A luta segue: saúde e educação não são mercadorias!

 

Daniel Menezes de Souza

Presidente do Coren-RS

Fonte: Coren-RS