19/01/2021

Medidas de prevenção e controle para profissionais na vacinação contra covid-19

Considerando que a enfermagem brasileira continuará sendo a maior categoria de profissionais da saúde expostos na linha de frente à Covid-19 e agora tendo participação direta na operacionalização da vacinação em massa, o Conselho Federal de Enfermagem, através de suas equipes técnicas recomendam:

As atividades de vacinação para Covid-19 representarão atividade extraordinária às rotinas de vacinação já existentes, demandando dos gestores municipais (responsáveis pela execução da atividade) planos de trabalho específicos, orientados pelas diretrizes de rotina do Programa Nacional de Imunização, que garantam a integridade e proteção específica de profissionais e usuários dos serviços de saúde.

O Manual de Normas e Procedimentos em Vacinação do Ministério da Saúde (Brasil 2014) estabelece que “as atividades de sala de vacinação são desenvolvidas por equipe de enfermagem, desde que treinada e capacitada para os procedimentos de manuseio, conservação, preparo, administração, registro e descarte dos resíduos resultantes das ações de vacinação”.

O dimensionamento da equipe de imunização depende do porte do serviço de saúde e do tamanho da população adscrita àquele serviço.

A equipe mínima sugerida para a atividade é composta pelo enfermeiro e técnico ou auxiliar de enfermagem, sendo recomendado como ideal a presença de 2 vacinadores para cada turno de trabalho, conforme o porte do serviço de saúde, e tamanho da população sob sua responsabilidade. É de competência dessa equipe o manuseio, conservação, preparo, administração, registro e descarte dos resíduos bem como a avaliação e o monitoramento epidemiológico, porém cabe privativamente ao enfermeiro a supervisão do trabalho em sala de vacinação

Considerando que o governo brasileiro pretende iniciar a vacinação contra o Covid-19, simultaneamente, em todos os 5.570 municípios do país; considerando esse cenário de indisponibilidade de vacina contra Covid-19 para toda população e a necessidade de priorizar os grupos; considerando que a Enfermagem é o grupo de linha de frente para execução dessa ação grandiosa, destacamos os assuntos abaixo como relevantes para discussão dos trabalhos:

 

  1. ORGANIZAÇÃO DAS UNIDADES DE SAÚDE

O enfermeiro, além de ser o responsável pela supervisão/monitoramento de toda a assistência de enfermagem, assumirá um papel gestor fundamental na preparação de sua unidade de saúde e todas as medidas que evitem a contaminação e a transmissibilidade da COVID-19, garantindo a segurança dos pacientes e dos profissionais de enfermagem.

É desejável que o ambiente destinado à vacinação seja dotado de local de entrada e saída independentes, permitindo assim um fluxo contínuo de atendimento ao usuário.

Considerando a expectativa de elevado fluxo para vacinação contra o SARS-Cov2, recomenda-se a utilização de salas com comunicação direta, tornando independentes as atividades de triagem/escuta inicial com a área de administração da vacina. Na sala de escuta inicial deve ser garantido o distanciamento mínimo de 1,0m entre o profissional designado para a atividade e o usuário.

O enfermeiro e sua equipe deverão colaborar na implantação das medidas sanitárias preventivas com alertas visuais (cartazes, placas e pôsteres etc.) identificação de solo com distanciamento social na entrada dos serviços de saúde e em locais estratégicos (áreas de espera, elevadores etc.) com informações sobre: uso permanente de máscaras, sobre os principais sinais e sintomas da Covid-19, forma correta para a higiene das mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica a 70% e sobre higiene respiratória/etiqueta da tosse. Além disso promover condições no serviço de saúde para higiene simples das mãos: lavatório/pia com dispensador de sabonete líquido ou com álcool gel a 70%, suporte para papel toalha, papel toalha, lixeira com tampa abertura. Nas unidades de saúde onde forem realizadas atividades de vacinação, é fundamental que os profissionais da saúde estejam atentos aos pacientes que apresentem sinais e sintomas de doenças respiratórias ou sintomas gripais, devem ser direcionados à área específica do serviço de saúde para avaliação médica, conforme os protocolos locais de abordagem inicial dos pacientes com suspeita de Covid-19.

1.1 Fluxos:

Visando um atendimento humanizado e organizado orienta-se que, as equipes de saúde elaborem os seguintes fluxos para melhor atendimento à população.

– Agendamento ou horário especial para os idosos;

– Vacinação domiciliar aos pacientes acamados;

– Acolhimento;

– Sala/Espaços para vacinação;

– Drive Thru;

– Posto Volante;

– Sala para Reações Adversas e Equipe de Resposta Rápida;

– Tumulto, Invasão e Roubo;

– Distrações e Simulações (atos antivacina)

 

  1. ACOLHIMENTO E TRIAGEM

Representa o primeiro contato do usuário com o ambiente de vacinação, contribuindo para organização do fluxo contínuo da atividade e racionalização do tempo e recursos envolvidos. São procedimentos a serem realizados na porta de entrada do serviço de saúde, antes do ingresso do usuário no ambiente dedicado à vacinação.

Os procedimentos de acolhimento devem ser realizados na entrada do serviço de saúde, antes do ingresso do usuário no ambiente dedicado à Vacinação. Neste sentido os serviços de saúde devem garantir e considerar a estimativa da demanda diária de usuários, o número de Equipes de Resposta Rápida (constituídas de forma multidisciplinar) para o atendimento oportuno e célere caso ocorra alguma reação adversa após realização da vacina.

Os serviços de saúde devem disponibilizar profissionais para organizar e monitorar o espaçamento de segurança entre os usuários de no mínimo 1,0m de distância, a utilização continua de máscara pelos usuários durante todo o período de permanência no ambiente e que organizem o fluxo continuo aos ambientes de registro de dados do usuário / escuta inicial, administração de vacina e saída do ambiente de vacinação, evitando aglomerações em qualquer etapa da vacinação.

Os espaços de “Sala de Espera” devem ser dotados de iluminação (natural ou artificial), temperatura, umidade e ventilação natural que sejam suficientes para o desempenho das atividades em condições adequadas pela equipe de saúde e mitigação dos riscos de transmissão.

 

2.1 EPI´s RECOMENDADOS: ACOLHIMENTO E TRIAGEM

  1. Máscara Cirúrgica (deverá ser trocada a cada 2 horas e sempre que estiver úmida ou suja);
  2. Protetor Facial (Face Shield) ou óculos de proteção; e
  3. Avental Descartável para uso diário (1 por dia) ou avental de tecido devendo ser higienizado diariamente pelo Serviço, evitando que o profissional leve o avental para a sua residência;

 

  1. SALAS DE VACINA

As salas devem ser destinadas exclusivamente à vacinação segura e de qualidade e que, o Programa Nacional de Imunização (PNI) define as peculiaridades necessárias, incluindo aspectos relacionados à estrutura física, equipamentos e insumos indispensáveis ao trabalho. Devem ser priorizados, quando possível, ambientes abertos.

 

  • EPI´s RECOMENDADOS: SALAS DE VACINA

 

  1. Máscara Cirúrgica (deverá ser trocada a cada 2 horas e sempre que estiver úmida ou suja);
  • Protetor Facial (Face Shield) ou óculos de proteção;
  • Avental Descartável para uso diário (1 por dia), podendo ser trocado em situações excepcionais, ou avental de tecido devendo ser higienizado diariamente pelo Serviço, evitando que o profissional leve o avental para a sua residência;
  • Luvas de Procedimentos: recomendada somente para indicações específicas como vacinadores com lesões cutâneas ou raras situações que envolvam contato com fluidos corporais do paciente ou que ele apresente lesões de pele no local da aplicação. Se usadas, devem ser trocadas entre os pacientes, associadas à adequada higienização das mãos.
  • Higienização das mãos: a cada vacinação com álcool gel 70% e a cada 05 (cinco) vacinações a lavagem com água e sabão.
  • Respirador PFF2/N95, recomendado para ambientes sem ventilação/circulação de ar adequada, para uso com pacientes institucionalizados ou confinados, como nas Instituições de Longa Permanência de Idosos – ILPI e estabelecimentos prisionais, ou que apresente o risco de aerossóis;

 

  • ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES: uso permanente de máscara cirúrgica/tecido

Caso a máscara apresente umidade, uso prolongado ou sujidade, sugere-se que a unidade forneça uma máscara cirúrgica ao paciente, que durante o procedimento de vacinação o paciente vire o rosto para o lado contrário que será vacinado mantendo o máximo de distanciamento do vacinador.




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