13/11/2019

Mesa-redonda discute experiências internacionais e práticas avançadas

Depois de falar sobre legitimação da anestesiologia nos EUA e na França, convidadas avaliaram situação no Brasil

Assunto que é chave para ampliar o acesso à Saúde no Brasil, as práticas avançadas em Enfermagem foram debatidas nesta terça-feira (12), em mesa-redonda no 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF), com participação de três convidadas que expuseram experiências internacionais e nacionais: Cristine Caltero (França, Universidade de Rouen); Claudia Regina Laselva (Brasil, Hospital Albert Einsten); e Gilmara Lúcia dos Santos (Brasil, Cofen e Ministério da Saúde).

Na França – A professora Cristine Caltero falou sobre como a anestesiologia, uma prática avançada antes consagrada aos cirurgiões, tornou-se atribuição regulamentada do enfermeiro em seu país.

“Seguindo o exemplo dos Estados Unidos, a formação na área foi inaugurada, mas sem muitos parâmetros. Com o tempo, houve embates entre os profissionais e foi necessário rever as regras para que, hoje, o enfermeiro anestesista pudesse ser reconhecido pelo Estado e ter as suas competências definidas”, explicou.

Ela enfatizou as responsabilidades desse profissional e recomendou que ele reflita sempre sobre suas ações. “Atuar antes, durante e depois de uma cirurgia, não é uma tarefa fácil. Ter um protocolo é essencial, mas não é tudo. O enfermeiro anestesista precisa refletir sobre o que está fazendo e saber o motivo de ter tomado cada decisão, pois esse processo não dispensa a mão humana”.

Enfermeiro Doutor em Ciências da Saúde e professor da Universidade Federal do Espírito Santa (UFES), o congressista Bruno Henrique Fiorim participou da mesa-redonda com vontade de aprender com as experiências internacionais. “Precisamos também reforçar as práticas avançadas hospitalares na Enfermagem no Brasil, e a anestesia é um caminho. “A gente faz muitas coisas hoje no hospital que podem se caracterizar como práticas avançadas, mas ainda não as legitimamos. Quando nos espelhamos nas experiências internacionais, conseguimos ver alguns exemplos exitosos para que possamos utilizar na nossa realidade”, comentou.

Experiência nos EUA e propostas para o Brasil – A partir das experiências da Enfermagem de práticas avançadas nos Estados Unidos, também com foco na anestesiologia, Claudia Regina traçou o percurso para que ela fosse uma prática autônoma naquele país e trouxe propostas para a legitimação no Brasil.

Expondo como o avanço se deu e os resultados disso, a convidada avaliou uma importante competência do enfermeiro de práticas avançadas. “Ele tem uma abordagem única para os cuidados de saúde porque se concentra na saúde e bem-estar da pessoa, incluindo família e ambiente. É essa visão holística”, avaliou.

Apresentou, ainda, dados que indicam escassez de anestesistas no Brasil e reforçou a necessidade de profissionais não-médicos ingressarem na área. Ao final da exposição, listou propostas para fortalecer práticas do enfermeiro anestesista no Brasil como: 1) desenvolver e definir conjunto de atividades e competências aplicáveis para o enfermeiro e 2) desenvolver programas de capacitação no formato mestrado profissional ou residência.

Os protocolos de Enfermagem e a saúde da mulher – Membro da Comissão de Práticas Avançadas na Atenção Primária do Cofen e do Ministério da Saúde, Gilmara dos Santos também defendeu o desenvolvimento das práticas avançadas do enfermeiro e apontou a Atenção Primária à Saúde e Saúde da Mulher como áreas estratégicas para isso no Brasil.

A necessidade de reduzir o índice de cirurgias cesarianas é uma das questões atuais envolvidas. Ela afirmou que o enfermeiro pode ser, por ter capacidade, o protagonista desse processo.

Gilmara destacou a elaboração de protocolos de Enfermagem para a Atenção Primária, um projeto orientado pelo Cofen e conduzido pelos Conselhos Regionais de todos os estados, em parceria com universidades e gestores de Saúde.

Ela terminou a exposição desejando uma Enfermagem “forte, empoderada profissionalmente e valorizada socialmente, com reconhecimento de sua competência técnica e com regulação profissional”.

Fonte: Ascom - Cofen