04/02/2019

MT: Força Nacional apresenta balanço de fiscalização em 17 hospitais

Desorganização do serviço e falta de estrutura afetam unidades de saúde de Cuiabá, Várzea Grande e Sinop

Dados preocupantes foram levantados durante a megaoperação de fiscalização realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e pelo Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) em 17 unidades de saúde de Cuiabá, Várzea Grande e Sinop, entre os dias 28 de janeiro e 1º de fevereiro. Quinze fiscais de Mato Grosso e outros estados participaram da Força Nacional de Fiscalização do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

1.238 leitos foram inspecionados

Os resultados mostram a desorganização do serviço e os problemas estruturais graves que afetam a qualidade da assistência de enfermagem, pondo em risco a saúde da população.
Foram fiscalizadas as seguintes unidades: Pronto Socorro Municipal, CIAPS Adauto Botelho, CIAPS III, Hospital Municipal São Benedito, Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, UPAs dos bairros Morada do Ouro e Pascoal Ramos, policlínicas dos bairros Verdão e Planalto (Cuiabá); Pronto Socorro Municipal, UPA do bairro Ipase e Hospital São Lucas (Várzea Grande); Hospital Regional de Sinop, Hospital Santo Antônio, Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, Unidade de Pronto Atendimento de Sinop, Maternidade Jacarandás (Sinop).

Ao todo, 1.238 leitos foram inspecionados e 123 notificações expedidas por irregularidades no exercício da enfermagem.

Em algumas unidades, há superlotação de pacientes e falta de profissionais. A situação piora porque a maioria delas não realiza o cálculo de dimensionamento das equipes, contribuindo para a sobrecarga.
Foi constatada a ausência de enfermeiro em setores importantes, como na Unidade de Queimados e da Central de Material Esterelizado (CME) do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. Nas CMEs do Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá e do Hospital Regional de Sinop, o profissional não permanecia em tempo integral e, na Policlínica do Planalto, não havia enfermeiro durante o transporte de pacientes.
Foram encontrados ainda profissionais exercendo funções fora de sua competência e habilitação.

Um exemplo flagrante de más condições de trabalho foi encontrado no Hospital Regional de Sinop, onde os profissionais de enfermagem ainda estão com salário atrasado, há leitos inativados e duas salas cirúrgicas desativadas, tendo sido reduzido o número de cirurgias por falta de equipamento.

A péssima conservação das unidades é visível. Há equipamentos com defeito, a higienização é precária e faltam materiais básicos, como luvas e sabão. Em oito delas, foram encontrados medicamentos vencidos e em quatro, remédios armazenados incorretamente.

Evidências encontradas no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá

Outro sinal da desorganização do serviço é o fato de muitas unidades deixarem de cumprir corretamente rotinas básicas, como o registro de informações no prontuário do paciente.

Cenário de desestruturação – Os resultados são reflexo do cenário de desestruturação de todo o sistema de saúde. “A situação é bem séria. O investimento do poder público na saúde tem repercutido de forma muito negativa porque, de fato, os problemas que encontramos aqui são muito básicos”, comentou a chefe da Divisão de Fiscalização do Cofen, Michely Filete.

O cenário também resulta de uma visão mercantilista da saúde, segundo o presidente do Coren-MT, Antônio César Ribeiro. “A qualidade do dimensionamento das equipes de enfermagem é um problema. Os hospitais querem o barateamento, principalmente no setor privado. Contratam enfermeiro como gerente para cuidar da administração do serviço, afastando-o o do planejamento do cuidado, sua função primordial”, comentou. “Os dados não nos surpreendem. O que vai ficar é o extremo compromisso de garantir os encaminhamentos dos processos para fazer valer esta semana de fiscalização”.

A realização desta força-tarefa é parte do investimento da atual gestão no fortalecimento das atividades-fim do órgão. O último balanço do Coren-MT demonstrou um aumento na cobertura de fiscalização, que passou de 4%, em 2017 para 14%, em 2018.

A regularização das pendências referentes ao exercício profissional será acompanhada pelo Coren-MT e os dados sobre problemas de estrutura serão encaminhados às autoridades competentes.

 

 

INSTITUIÇÃO IRREGULARIDADES NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM OUTRAS IRREGULARIDADES
HOSPITAL E PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DE CUIABÁ Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

Falta de cálculo de dimensionamento de pessoal de Enfermagem.

Falta de enfermeiro responsável na Unidade de Queimados e na CME

Auxiliar de enfermagem realizando curativos no Centro de Tratamento de Queimados.

Ausência de enfermeiro na classificação de risco no período noturno.

Superlotação de pacientes no geral e na emergência (sala que tem capacidade para 22 pacientes está com 80)

Apenas 02 enfermeiros e 04 Técnicos de Enfermagem para o cuidado.

Pacientes há mais de três dias sem fazer curativo devido à sobrecarga de atribuições dos profissionais de enfermagem.
Insuficiência de materiais básicos como suporte para frasco de soro
Medicações vencidas

Material de uso diário dos pacientes junto com os materiais do expurgo
Paciente grave sendo atendido em maca baixa por falta de leitos
Estrutura física precária. Faltam materiais para a assistência, faltam medicamentos.

HOSPITAL E PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DE VÁRZEA GRANDE Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

Inexistência do cálculo de dimensionamento de pessoal de Enfermagem

 

Medicações vencidas na UTI

Medicações sem identificação da data de abertura.

Materiais com esterilização vencida, alguns há mais de um ano e sem data de esterilização.

Soro sem identificação em diversos setores.

Os lençóis são dos próprios pacientes, ausência de local para guarda de pertences dos pacientes.

Cruzamento de material limpo e contaminado na CME.

Falta sabão e álcool para lavagens de mãos

Déficit de profissionais da limpeza e condições precárias de higiene.

Posto de Enfermagem da Pediatria com obra inacabada e vazamento de água.

Inexistência de EPI no expurgo

Presença de pacientes internados no corredor, mesmo tendo leitos vagos em outros setores

Total falta de indicadores de saúde

 

CIAPS ADAUTO BOTELHO Falta de normas, rotinas e procedimento operacional padrão relacionado ao serviço de Enfermagem.

Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

 

Exercício irregular de atividade de enfermagem por técnico de enfermagem.

Falta cálculo de dimensionamento de pessoal.

Medicação vencida há seis meses na Ala Feminina, na emergência e em outros setores.

Estrutura física precária.

Ala Feminina sem porta e com vidros quebrados, expondo os pacientes (Situação denunciada pelo MP em março de 2018).

Desorganização do serviço de enfermagem.

Contenção mecânica feita fora do protocolo.

Falta EPI (Equipamento de proteção individual), com luvas de procedimentos em quantidade insuficiente.

Vasos sanitários entupidos na Ala Masculina, levando à interdição de leitos e risco de infecções.

 

 

HOSPITAL SÃO LUCAS DE VÁRZEA GRANDE Profissional com inscrição cancelada no bloco cirúrgico.

 

Indícios de auxílio a cirurgia por profissionais de enfermagem.

Ausência de cobertura de férias do Enfermeiro.

 

UPA IPASE Dois profissionais com carteira vencida.

Falta cálculo de dimensionamento de pessoal.

 

Medicações vencidas na sala vermelha.

Material com esterilização vencida e sem data de esterilização.

Isolamento respiratório inadequado para tuberculose.

 

HOSPITAL MUNICIPAL SÃO BENEDITO Não apresentou cálculo de dimensionamento de pessoal.

Falta de normas, rotinas e procedimento operacional padrão relacionado ao serviço de Enfermagem.

 

Profissional com carteira vencida.

Sala de repouso de enfermagem inadequada.

Infiltrações nas enfermarias.

 

COMPLEXO HOSPITALAR JARDIM CUIABÁ

Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

 

Pronto Socorro e Centro cirúrgico sem rotina do Processo de Enfermagem.

Não apresentou cálculo de dimensionamento de pessoal.

Não há enfermeiro em tempo integral no CME.

Auxiliar de enfermagem atua na emergência prestando assistência a paciente grave.

Sobrecarga de trabalho.

Estrutura física da observação pediátrica do PS não permite pronta assistência de enfermagem aos pacientes.

 

 

UPA MORADA DO OURO Falta de normas, rotinas e procedimento operacional padrão relacionado ao serviço de Enfermagem.

Não segue a rotina do Processo de Enfermagem.

 

Profissionais com carteira vencida.

Falta de enfermeiro no setor de Observação.

 

Falta de privacidade para atendimento aos pacientes na classificação de risco.

Medicamentos fracionados de forma inadequada.

Medicação vencida.

Falta de material (glicosímetro, EPI, esfignomanômetro, caixa para descarte de material perfurocortante).

Descarte inadequado de material perfurocortante.

Higienização precária, presença de infiltrações.

Processo de esterilização inadequado, com cruzamento de material limpo e sujo.

CIAPS III Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

 

Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

 

Profissionais com carteira profissional vencida.

 

 

Estrutura física inadequada, sem manutenção, portas e janelas quebradas, higienização precária.

Ausência de material para reanimação. Medicações vencidas.

UPA PASCOAL RAMOS Profissional não apresentou carteira.

Descumprimento de notificações anteriores.

 

Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

 

Estrutura física do posto de enfermagem da sala de medicação precária, com vazamento de água do ar condicionado.

Medicações vencidas desde 31/10/2018 na sala vermelha.

Estoque de medicações orais em local inadequado.

Falta de EPI, luvas de procedimentos e medicações (noradrenalina, plasil).

POLICLÍNICA DO VERDÃO  

Problemas no preenchimento do prontuário dos pacientes.

Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

Profissional com carteira vencida.

Não apresentou cálculo de dimensionamento de pessoal de Enfermagem.

Inexistência de enfermeiro no CME.

Exercício ilegal da profissão.

 

Superlotação.

Sobrecarga de trabalho dos profissionais de enfermagem.

Uso inadequado de EPI.

Estrutura física precária.

Sala de repouso da enfermagem desestruturada.

Vazamento de água na sala de consulta. Sem privacidade para atendimento aos pacientes na classificação de risco.

Sem privacidade para aplicação de injeções.

 

 

POLICLINICA DO PLANALTO  

Falta de enfermeiro no transporte de pacientes.

Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

Problemas no registro em prontuário.

 

 

Medicação vencia na sala de Urgência.

Goteira no posto de enfermagem. Repouso de enfermagem inadequado. Ausência de cadeira para acompanhantes.

Depósito inadequado de materiais (soro acondicionado na enfermaria).

Falta de biombo para garantir a privacidade no atendimento dos pacientes.

HOSPITAL REGIONAL DE SINOP Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

Problemas no registro em prontuário.

Profissional com carteira vencida.

 

Falta cálculo de dimensionamento de pessoal de Enfermagem.

 

Não há enfermeiro em tempo integral na CME.

Profissionais com salário atrasado há 90 dias.

Leitos inativados, 02 salas cirúrgicas desativadas e número de cirurgias reduzidas por falta de equipamentos.

Rachadura em parede na Central de Material Esterilizado.

Falta de medicamentos.

HOSPITAL SANTO ANTÔNIO  

Execução de atos/atividades que ultrapassam habilitação – Técnico de enfermagem atuando na sala de parto.

 

Salários atrasados.

Alto índice de partos cesariana.

Controle ineficiente da temperatura da geladeira de medicamentos.

HOSPITAL E MATERNIDADE DOIS PINHEIROS Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

Problemas no registro em prontuário.

Falta cálculo de dimensionamento de pessoal de Enfermagem.

Não há enfermeiro no CME.

Processo de desinfecção e esterilização com inadequados.
MATERNIDADE JACARANDÁ Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

Profissional com carteira vencida.

Falta de enfermeiro em tempo integral.

Exercício fora da habilitação legal -técnico fazendo ausculta de batimentos cardíacos fetais.

Controle ineficiente da temperatura da geladeira que armazena medicamentos.
UPA SINOP Falta normas e rotinas e procedimento operacional padrão do serviço de Enfermagem.

 

Problemas no registro em prontuário.

 

Falta implementar o Processo de Enfermagem.

Demanda acima da capacidade.

Local inadequado e que oferece risco para o preparo de medicamentos; lixeiras sem tampa e pedal.

Profissional sem EPI.

 

Fonte: Coren - MT