14/12/2020

Politização das vacinas contra a covid-19 coloca em risco os brasileiros

Em nota, Conselho Federal de Enfermagem cobra medidas enérgicas e imediatas para a aquisição de vacinas, com base em critérios técnicos

O Brasil é um dos epicentros globais da pandemia de covid-19. Superamos o triste marco de 181 mil mortes por covid-19. Cada morte é uma perda inestimável. É o luto e a dor de uma família. Perdemos mais de mil trabalhadores da saúde, dos quais 469 são profissionais de Enfermagem, que seguem enfrentando seus medos, na linha de frente do combate ao coronavírus.

A vida não pode esperar. A politização da vacina coloca em risco os brasileiros. É o momento de unirmos esforços para a aquisição e aplicação de todas as vacinas com segurança e eficácia comprovadas, com aprovação ágil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Um novo avanço da pandemia já é realidade, triste e preocupante, em todo território nacional, sem que jamais tenha sido alcançado o controle das transmissões. Causa estranheza e preocupação ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) a divulgação, pelo Ministério da Saúde, de um plano de vacinação vago e impreciso, à revelia dos próprios cientistas que participaram da formulação.

É incompreensível a opção brasileira pela cobertura mínima na aliança global de vacinas contra a covid-19. Enquanto a vacinação tem início em países como o Reino Unido, o Ministério da Saúde anuncia para março o primeiro lote de vacina, de apenas 200 mil doses. É insuficiente para imunizar sequer 10% dos 2,3 milhões de profissionais de Enfermagem registrados no Brasil, sem falar nos milhões de brasileiros que integram grupo prioritários, como profissionais de Saúde, idosos, imunodeprimidos, população indígena, entre outros. Faltam seringas, vacinas, insumos básicos para a aplicação, sem que o governo federal pareça dar-se conta de sua responsabilidade institucional, política e social.

O Brasil é referência mundial em vacinação, pela abrangência do seu programa de imunizações, capaz de garantir ampla cobertura vacinal, controlar epidemias e contribuir para a erradicação global de doenças. A atitude hesitante e muitas vezes hostil à ciência, flertando com o negacionismo frente à pandemia, vem contribuindo para uma redução da confiança da população brasileira nas vacinas, situação grave que pode trazer repercussões a longo prazo. Pela primeira vez no século, o Brasil não atinge meta para nenhuma das principais vacinas infantis.

Somos uma das poucas nações em desenvolvimento com base produtiva e tecnológica para a produção de imunobiológicos e vacinas, contando com centros de excelência como o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e o Instituto Butantan, ambos diretamente envolvidos nos esforços globais para desenvolvimento de vacinas contra a covid-19. Ataques à Fiocruz e ao Instituto Butantan são um ataque à nação brasileira, à ciência e ao compromisso solidário que fundamenta o nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Urgimos o governo federal a tomar medidas enérgicas e imediatas para a aquisição de vacinas, com base em critérios técnicos e não políticos, e para a aquisição de seringas, agulhas, refrigeração e toda a logística necessária para assegurar que a vacinação chegue o quanto antes aos brasileiros, iniciando com os grupos prioritários, sujeitos a maior risco e exposição.

 

Conselho Federal de Enfermagem

Fonte: Ascom - Cofen