13/10/2021

Um engraxate que se tornou referência para a Enfermagem

Perfis da Enfermagem: Conheça, a cada quinzena, a história de um dos dirigentes do Cofen

Wilton Patrício é o caçula de quatro irmãos

Nascido e criado em Ecoporanga, no interior do Espírito Santo, Wilton José Patrício, 56 anos, teve, desde a infância, ares de um empreendedor. Caçula de uma família de quatro irmãos, a geração de renda era seu Norte na adversidade. Quando a escola permitia, vendia picolé e sacos de laranja pela cidade, de pouco mais de 22 mil habitantes, trabalhando até mesmo como engraxate na barbearia do pai, José Patrício da Penha.

A mãe, dona Irany Ferreira Oliveira, indicou a direção da valorização do trabalho e do respeito ao próximo – uma formação que supera seus títulos acadêmicos. “Mamãe sempre ensinou a me dedicar em tudo o que eu fazia, e principalmente, a temer a Deus, a ser honesto e justo, entre outros valores que levei comigo para a Enfermagem e uso até hoje”, ressalta Patrício.

Desde cedo, Patrício percebeu que alçar voos maiores dependeria da dedicação aos estudos. O gosto pelos estudos surgiu quando Wilton cursou o primeiro grau na escola polivalente Daniel Comboni, onde aprendeu técnicas bancárias, comerciais e agrícolas.

Em 1985, no curso de formação de soldado da PMES.

Mesmo com sua alfabetização relativamente tardia – após os oito anos de idade –, os conhecimentos adquiridos durante o ensino médio fizeram com que despertasse seu interesse em trabalhar em grandes corporações como o Banco do Brasil ou, até mesmo, a seguir a carreira militar na Aeronáutica.

Cursaria depois o ensino técnico em contabilidade e, dentro de um laboratório de análises clínicas, daria início a uma carreira na área da saúde.

Esta paixão o levou a ingressar como 3º sargento e chegar a capitão no Quadro de Oficiais de Administração de Saúde da Polícia Militar do Espírito Santo (QOAS). Já havia sido aprovado para  o curso de formação de soldado, em 1985, aos 18 anos. Uma grande alegria. Desligado pelo exame de vista, não desanimou. Seguiu estudando, se encontrou na área da Saúde, e retornou como sargento especialista, em 1994.

Como sempre teve preocupação em gerar sua própria renda, Patrício viu em um laboratório de análises clínicas uma oportunidade não apenas de ganhar dinheiro como também de aprender uma nova profissão.

Então, por indicação do farmacêutico Aloísio Leão Filho, passou a estagiar na área laboratorial, onde aprendeu a profissão na prática. Tempos depois, sob a tutela do bioquímico Roberto Figueiredo, teve maior contato com o mundo da Enfermagem.

Recebendo dos pais o diploma, na formatura como 3º sargento

“Ali eu auxiliava na coleta e na transfusão de sangue, a colher exames e outras atividades que me despertaram o interesse pela profissão”, lembra Wilton.

Ao se mudar com a família para Vitória, Wilton Patrício começou a trabalhar em um laboratório na capital. Apoiado por seu proprietário,  José de Souza Barbosa, Wilton dedicou-se ainda mais aos estudos e foi aprovado em vários concursos públicos como os do Detran-ES, do Banestes e da Polícia Militar (PMES). Tempo depois, foi convidado pelo capitão Aloísio Leão Filho a fazer parte do laboratório da Polícia Militar. Após ser aprovado no concurso do Hospital da Polícia Militar (HPM), iniciou suas atividades na área laboratorial.

Formatura em Enfermagem, na UFES

Ao ter mais convívio com a rotina hospitalar, Wilton sentiu a necessidade de se aprofundar na área da saúde e, em 1991, foi aprovado no vestibular para Enfermagem, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Desde então não parou mais. Após novo concurso, ingressou na carreira militar como Terceiro Sargento. Fez pós-graduação em Enfermagem Coletiva, pela Faculdade Luiza de Marilac (2000), trabalhou como enfermeiro coordenador de equipe nos Programas de Saúde da Família (PSF) em João Neiva (1999 a 2003) e no PSF de Vitória (2003 a 2006). Em 2016 recebeu o prêmio nacional Anna Nery, a maior honraria da Enfermagem. Já em 2017 foi promovido a Capitão do Quadro de Oficiais de Administração de Saúde da PMES (QOAS). Atualmente cursa o mestrado em Gestão Econômica de Finanças Públicas pela Universidade de Brasília (UnB).

Liderança da Enfermagem –  A participação de Wilton Patrício nos Conselhos Regional e Federal de Enfermagem tem sido fundamental. Ele foi o primeiro militar no Brasil a presidir um conselho de enfermagem e, por sua iniciativa, foi criada a Comissão Nacional de Profissionais de Enfermagem Militares, com foco não apenas nas polícias militares e bombeiros como também das forças armadas.

Encontro internacional de enfermeiros militares, em Portugal. Patrício participou como palestrante.

Foi presidente do Coren-ES (gestões 2006/2009, 2009/2012 e 2015/2018) e conselheiro do Cofen (2012/2015, 2018/2021 e 2021/2024). Desde 2012, faz parte dos conselheiros do Cofen, onde foi reeleito para uma nova gestão na diretoria até 2024, no cargo de 2º Tesoureiro. Para ele, muito se fez, mas ainda há muito a se fazer.

“A pandemia mostrou o quanto o enfermeiro é essencial para a humanidade. Contudo, a profissão precisa ser mais valorizada. Em um projeto que tramita no Senado, estamos lutando por uma carga horária e um piso salarial justos, de modo a proporcionar mais qualidade de vida ao profissional de enfermagem”, ressalta Patrício.

No hospital da PMES conheceu a esposa, subtenente Kallinca Venturini. Tiveram dois filhos.

A família como maior das conquistas – Dentre todas as conquistas do enfermeiro Wilton Patrício, uma, em especial, é a mais importante: a sua família. Em 1996, no período em que atuou no HPM, ele conheceu a então técnica de Enfermagem, a subtenente Kallinca Venturini. Eles se casaram e tiveram dois filhos, Andrey, de 14 anos, e Ícaro, de 11.

“A Enfermagem e a PMES me deram tudo o que tenho. Realizei mais do que sonhei. Estou proporcionando uma boa condição de vida à minha mãe e a família. Por isso sou grato a todos que fizeram parte dessa história, desde a minha alfabetizadora lá de Ecoporanga, dona Cecilia Alves Ferreira, e as professoras Jane Machado Costa e Rute Cecília Trarbach Figueiredo, até aqueles que me ajudaram profissionalmente como Roberto Figueiredo, José Barbosa e os coronéis Aloísio Leão Filho, Hudson Nunes de Oliveira e Marcio Luz de Oliveira. Pessoas de grande coração e que foram fundamentais para tornar a minha caminhada possível”, agradece Wilton.

Fonte: Ascom - Cofen