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Memorial da Pandemia: Enfermagem esteve na linha de frente

Espaço resgata história das mais de 700 mil vítimas. Enfermagem esteve na linha de frente

09.04.2026

escultura em metal, pilares com indicativos dos mortos e o prédio do memorial ao fundo
Memorial inaugurado no Rio de Janeiro, neste dia 7 de Abril, Dia Mundial da Saúde

O Ministério da Saúde inaugurou, nesta terça-feira (7/4), Memorial da Pandemia. O espaço, no Rio de Janeiro, preserva a memória das vítimas da covid-19. Na linha de frente da pandemia, os profissionais de Enfermagem estão entre os mais atingidos.

O ministro Alexandre Padilha destacou, na inauguração, a necessidade de aprender com a experiência e preparar o Brasil para a próxima emergência sanitária. O negacionismo científico e políticas contrárias às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) contribuíram para a alta mortalidade no Brasil Pesquisas indicam que 400 mil das 700 mil mortes poderiam ter sido evitadas.

Os brasileiros chegaram a representar um terço dos profissionais de Enfermagem mortos por covid, conforme levantamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermagem, em janeiro de 2021.

A pandemia de covid transformou os hospitais em campos de morte, com colapso sanitário em locais como o Amazonas. As equipes de Enfermagem enfrentaram discriminação, jornadas exaustivas, falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), decisões difíceis e a dor de ver pacientes partirem sem a presença da família.

Pessoas com jaleco e máscara seguram placas com nome de mortos na pandemia e vela
Ato da Enfermagem em homenagem aos mortos da covid, em Brasília. Brasil respondia por 1/3 dos profissionais de Enfermagem mortos

Além dos múltiplos casos de contaminação no trabalho, os profissionais precisaram lidar com o sofrimento de pacientes. Da dificuldade, surgiram iniciativas como o Enfermagem Solidária. Gerida pelo Cofen, com apoio de enfermeiros especialistas voluntários, a iniciativa ofereceu apoio e escuta qualificada para profissionais em sofrimento.

“As pessoas diziam aplaudir os profissionais de Saúde, mas rejeitavam os trabalhadores como se eles fossem passar o vírus. Eles estão além do limite. O mais difícil é conseguir uma licença ou alguns dias de folga para que se recuperem”, relembra Dorisdaia Humerez, colaboradora do Cofen que idealizou o projeto.

Seis anos após o início da pandemia, a covid ainda afeta centenas de milhares de brasileiros, que convivem com sequelas da covid longa. Durante o evento, foi lançada versão impressa do Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do SUS. O documento, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz, consolida orientações para identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da covid-19.

Luto, justiça e reparação

A criação de um memorial era uma indicação das associações de vítimas da covid. O espaço inclui diferentes instalações que buscam dar dimensão humana à tragédia sanitária. Esculturas externas expressam o sofrimento das pessoas, mas também a solidariedade.

Instalação mostra os nomes das pessoas que faleceram durante a pandemia. Cada uma das 700 mil mortes tem seu nome, a idade, a localização registrados. Elas também estão apresentadas pelas regiões do país, em pilares, com tamanhos diferenciados de acordo com o volume de óbitos. 

Memorial Digital

Durante a cerimônia, foi lançado Memorial Digital da Covid. Fruto de parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e Unicamp, o portal é um repositório que preserva coleções digitais de histórias e memórias da pandemia de covid-19, além de reunir publicações e estudos técnico-científicos. Cada documento preservado é testemunho da experiência brasileira e consolida uma política pública de memória.

 

 

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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