08/03/2021

Enfermagem obstétrica transforma assistência ao parto no Brasil

Neste 8 de Março, conheça as mulheres que cuidam de mulheres e estão mudando as formas de nascer no Brasil

Em plena pandemia, “tive um parto incrível, inesquecível”, conta Fernanda, do interior de Sergipe

Escolher a posição mais confortável. Ter apoio para lidar com as contrações. Amamentar logo após o nascimento. “A experiência do parto no Brasil vem mudando, com a participação das enfermeiras obstétricas de norte a sul do país. Neste 8 de Março, prestamos homenagem também às profissionais que se dedicam a promover um nascimento seguro, respeitoso e humanizado em plena pandemia”, parabeniza a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Santos.

“Eu não vou mentir que no início eu estava muito assustada em ter um parto pelo SUS, pela situação da pandemia e pela situação da maternidade do nosso estado. Mas chegou o dia e não tinha outra opção. Era essa”, conta Ana Carolina Almeida, que teve o parto da pequena Analu assistido por enfermeira obstétrica em Roraima, há dois meses. “Até hoje me espanto com meu parto, porque foi um momento maravilhoso, mesmo com o medo que eu estava, com as notícias. O que faz o SUS são os profissionais”, afirma.

A melhor posição para parir é aquela em que a mulher se sinta mais confortável

“O que eu mais gostei no meu parto é que eu não tive pressão de ter o bebê daquela forma, deitada. Ela [a enfermeira obstétrica] me deu várias opções, no chuveiro, acocada, até eu achar uma posição em que eu estava bem, que conseguia fazer força naturalmente”, conta a jovem mãe, assistida por Gabriella Rodrigues.

“A assistência de Enfermagem Obstétrica trabalha com uma perspectiva humanizada, olhando a mulher por inteiro, prestando assistência em um momento que é dela”, sintetiza a enfermeira Gabriella, que já acompanhou mais de 300 nascimentos com sua equipe, em Roraima.

“Minha experiência de parto foi incrível, inesquecível. Quando cheguei na maternidade, Luísa [enfermeira obstétrica] me recebeu super bem, me passou confiança, segurança. Cheguei com muita contração, com 7 cm de dilatação. Confessei para ela que naquele momento eu só queria uma cesariana, para amenizar minha dor. Daí ela conversou comigo, foi me incentivando, presente a todo momento. Ela e meu esposo. Eu fiz o que ela pediu, curti meu momento de parto. Foi lindo. Ela e meu esposo entraram naquele momento comigo. Na hora que minha filha nasceu, ela se emocionou com a gente. É super importante o SUS na vida das mulheres, a presença de enfermeiras no parto, aquela confiança de mulher para mulher”, conta Fernanda Feitosa, que há quatro meses deu à luz a pequena Gabrielly Fernanda, no município de Propriá, em Sergipe.

Para Maria Luísa Oliveira, enfermeira obstétrica que assistiu Fernanda, “o reconhecimento de que a mulher é a protagonista do parto muda o cenário da assistência, não apenas em partos sem distocias [intercorrências]”.  Ela conta que os índices de episiotomia – corte do períneo para facilitar a passagem do bebê, cuja realização rotineira é contraindicada – despencaram, mesmo quando há alguma intercorrência que demanda a presença do médico obstetra, porque “muda o olhar sobre o atendimento”.

Analu nasceu em Roraima e veio direto para os braços da mãe, Ana Carolina

“A presença da enfermeira obstétrica qualificada não faz diferença apenas na gestação e parto sem intercorrência”, ressalta a enfermeira obstétrica Virgínia Moretto, do Rio Grande do Sul. “Uma assistência qualificada reduz a probabilidade de prematuridade, cesariana e outras intercorrências. É importante até para desmistificar a cesariana, nos casos em for realmente necessária, e para encaminhar as mulheres para outros atendimentos, além de apoiar a amamentação e os cuidados com a mãe e o bebê”, afirma.

Cobertura pelos planos da Saúde é obrigatória – Maria Luísa, que também realiza atendimentos particulares, em conjunto com outras profissionais, comemora a inclusão das consultas de enfermagem obstétrica no novo rol de procedimentos de cobertura obrigatória. “É um passo importante, um avanço no direito de escolha das mulheres. Estou feliz e ansiosa para saber como vai ser, na prática, o credenciamento e aceitação”, pontua. A inclusão resulta de ampla mobilização do Sistema Sistema Cofen/Conselhos Regionais, de outras entidades de Enfermagem e das mulheres brasileiras.

Registre sua qualificação – O registro de especialidade em Enfermagem Obstétrica é isento de taxas e deve ser feito no respectivo Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “O registro é importante tanto para o dimensionamento das políticas públicas quanto para a ampliação da rede credenciada na Saúde Suplementar”, destaca o coordenador da Comissão Nacional de Saúde da Mulher, Herdy Alves.

A assistência à gestante, o acompanhamento do trabalho de parto e a execução do parto sem distócia estão entre as atribuições dos enfermeiros enquanto integrantes das equipes de Saúde, conforme o artigo 11 da Lei 7498/86. Os enfermeiros obstétricos e obstetrizes, especialistas em parto normal, têm autonomia profissional na assistência, conforme o artigo 9º do decreto 94.406/87.

Fonte: Ascom - Cofen