13/02/2015

Hospital público mineiro comemora um ano de parto domiciliar

Comissão de Saúde da Mulher do Cofen debate humanização do nascimento; Hospital Sofia Feldman é referência
Comissão de Saúde da Mulher do Cofen discute o papel da Enfermagem na humanização do parto

Comissão de Saúde da Mulher do Cofen discute o papel da Enfermagem na humanização do parto

O papel da enfermeira obstétrica no trabalho de parto e a autonomia da atuação foram tema de encontro da Comissão de Saúde da Mulher do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem). Reunida nesta semana no Cofen (2 a 4/2), a comissão avaliou as ações em 2014 e debateu o planejamento para 2015. “Ampliar a atuação da enfermeira obstétrica e garantir uma assistência segura e de qualidade às mulheres é a nossa meta. O Sofia Feldman é um exemplo de que isto é possível”, afirmou a conselheira federal Fátima Sampaio.

O Sofia Feldman inovou, ao final de 2013, oferecendo pela primeira vez partos domiciliares, 100% gratuitos e assistidos. O parto acontece em casa, com assistência de enfermeiras obstétricas, tendo retaguarda de obstetra, pediatra e de de toda a estrutura hospitalar.

Referência nacional, o Sofia Feldman é um dos pioneiros na retomada do papel ativo da mulher no trabalho de parto e na humanização do nascimento. A atuação das enfermeiras obstétricas durante o trabalho de parto contribuiu para a drástica redução das episiotomias – corte feito no períneo durante o parto normal. O procedimento, que ocorria em 60% dos partos em 1992, é atualmente de 4% no Sofia Feldman. O hospital quis ir mais longe.

“Era um sonho muito antigo das enfermeiras obstétricas e da direção do Sofia Feldman oferecer pelo SUS o parto domiciliar, seguro e assistido, às gestantes de baixo risco, como já acontece com algumas equipes particulares”, conta a enfermeira Vera Bonazzi, responsável técnica do Sofia Feldman e integrante da Comissão de Saúde da Mulher do Cofen. “Como o SUS ainda não prevê o reembolso do procedimento ‘parto domiciliar’, este é um trabalho realizado pela filantropia”, explica.

Filha de Thayanne Lima, a pequena Valentina nasceu em casa, com assistência do Sofia Feldman

Filha de Thayanne Lima, a pequena Valentina nasceu em casa, com assistência do Sofia Feldman

Parto em casa – “O que muda é o acolhimento. A tranquilidade de estar em casa me deu uma sensação de segurança e intimidade. Foi incrível”, conta Thayanne Lima, mãe da recém nascida Valentina, um dos 36 bebês atendidos em parto domiciliar pelo Sofia Feldman. Thayanne, que já tivera parto normal no hospital, se surpreendeu ao descobrir que poderia ter parto domiciliar com a equipe. “Foi um sonho”.

“Parto em casa é diferente, com gosto de pão de queijo, cheiro de comida caseira”, diz a enfermeira obstétrica Raquel Rabelo. Para ser candidata a parto domiciliar, a gestação precisa ser de baixo risco, com feto único e sem cesariana anterior. “O mais importante, respeitadas as condições clínicas, é o desejo da mulher”, afirma a enfermeira. A equipe leva todo o material de assistência, inclusive equipamentos de apoio, como banheira para parto na água e banquinho para parto de cócoras.

Quando se inicia o trabalho de parto, uma enfermeira obstétrica do Sofia Feldman vai até a casa da gestante, sendo acompanhada por uma segunda profissional durante a fase ativa. A equipe conta com a retaguarda do hospital, em um trabalho integrado. “É um parto seguro e assistido, trabalhamos com base em evidências científicas. Mas deixamos claro que nenhum parto é isento de riscos, nem em casa nem em hospital”, conta Raquel.

Famílias comemoram um ano do programa de parto domiciliar no Sofia Feldman

Famílias comemoram um ano do programa parto domiciliar do Sofia Feldman

Baixo índice de remoção– O índice de remoções hospitalar é baixo, segundo a enfermeira. Foram cinco remoções, por presença mecônio, por pedido de anestesia de gestante, por retenção da placenta e por respiração acelerada no recém-nascido. “Não houve casos de hemorragia, mas a equipe está preparada para estabilizar a mulher, se ocorrer”, afirma.

Um dos casos de transferência, Jussara Valentino, acredita que o acompanhamento da equipe contribuiu para que lidasse com tranquilidade com as intercorrências. “Eu tinha muita certeza que não tinha outro hospital aqui em Belo Horizonte, quiçá no Brasil, que pudesse me atender melhor”, conta.

Para a maioria dos recém-nascidos, não é necessária visita hospitalar. Vinte e quatro horas depois do parto, a equipe retorna ao lar para realização dos testes do coraçãozinho, olhinho e bilirrubina, que detecta icterícia. “Valentina nasceu, mamou e continuou a vida dela, em paz, em casa”, diz a mãe. “Meu sonho é que em cada maternidade tenhamos esse respeito, e futuramente, partos domiciliares pelo SUS, acessível a todas!”

Fonte: Ascom - Cofen