21/09/2021

Medo de cair recebe classificação internacional por pesquisa de enfermeira

A pesquisadora sul-mato-grossense avaliou o medo como fator de risco para queda em idosos e contribuiu com a Ciência

Nelson foi internado após cair e não resistiu às complicações da cirurgia – Foto: Reprodução/Instagram

A fofa e divertida vovó TikToker – como dona Nair Donadelli, de 90 anos, é conhecida por seus 3,5 milhões de seguidores – ficou sem o marido e parceiro de vídeos após ele sofrer uma queda e fraturar o fêmur. O vovô Nelson Miolaro passou por cirurgia e não resistiu às complicações, falecendo aos 91 anos.

Cair geralmente não representa um problema para quem é jovem. Porém, na terceira idade é uma questão de saúde pública. Cerca de 30 a 45% dos idosos com 60 anos ou mais sofrem, pelo menos, uma queda anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E muitos casos têm o mesmo desfecho que o de Nelson.

De Três Lagoas (MS), a enfermeira e professora universitária Silvana Barbosa Pena se dedicou a pesquisar o assunto e conseguiu inscrever seu nome no Diagnosis Development Committee (DDC, Comitê de Desenvolvimento de Diagnósticos) da NANDA-I por meio de uma análise publicada este ano sobre o medo de cair como fator de risco para quedas em idosos.

A publicação internacional tem grande significado por se relacionar com três classificações técnicas da Enfermagem: a NANDA-I, a NOC e a NIC. As três trazem conjuntos de termos compreendidos por todos os enfermeiros, utilizados para descrever os fenômenos de Enfermagem e auxiliar na tomada de decisão envolvendo diagnósticos de Enfermagem. “Importante frisar que todas as ações de Enfermagem são baseadas em ciência e teorias”, destaca Silvana.

“Classificações possibilitam que a Enfermagem seja reconhecida como ciência e com um papel definido na Sistematização da Assistência em Enfermagem, a SAE. Organizam o trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumentos, tornando possível a operacionalização do Processo de Enfermagem”, explica a pesquisadora.

Silvana orgulha colegas sul-mato-grossenses e brasileiros da Saúde por produzir mais uma contribuição da Enfermagem para a Ciência, e ajudar a prolongar a vida de pessoas idosas na prática.

Desde 2013, a professora investiga o tema de sua publicação, mesmo ano em que ingressou no doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

A publicação de Silvana, além de contribuir com a Ciência, ajuda a prolongar a vida de pessoas idosas – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O medo de cair como fator de risco – A queda em idosos é multifatorial, ou seja, está ligada a vários e diversos fatores. O medo de cair, avaliado como um indicador do fator de risco por Silvana, apresentou uma razão de chance de queda de 12,1 (IC 95% = 10,7-13,7) quando comparada ao grupo sem medo de cair. Estudos encontraram prevalência do medo de cair entre 25% a 86% dos idosos que vivem na comunidade, estando ele presente também nos idosos que não apresentaram quedas.

Este medo impacta negativamente a vida dos idosos com a restrição das atividades, comprometimento da funcionalidade física, psicológica e mental. Por outro lado, pode ser positivo quando torna a pessoa da terceira idade mais cautelosa e cuidadosa, e inspira mais atenção por parte dos cuidadores.

Envelhecimento da população despertou interesse – “Você também vai ficar velho” é uma frase que sempre ouvimos ao rir de alguma fala ou hábito relacionado à terceira idade. Também segundo a OMS, é mesmo provável que cada vez mais pessoas cheguem à velhice. Até o ano 2100, cerca de 40% da população será idosa no Brasil.

“O que me levou a realizar pesquisas centradas na pessoa idosa foram experiências da minha prática clínica de assistência de Enfermagem, ao observar um número maior de pessoas idosas nos cenários de atendimento em saúde em todos os níveis de atenção primária, secundária e terciária, além das informações científicas sobre os dados demográficos e epidemiológicos relacionados ao envelhecimento populacional no contexto mundial e nacional”, justifica a pesquisadora.

Fonte: Coren-MS