Cofen e OPAS/OMS mapeiam Enfermagem Obstétrica no Brasil
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e a Organização Pan-Americana da Saúde se reuniram nesta terça-feira (14/9) para a apresentação da pesquisa “Infográfico Fotografia da Obstetrícia no Brasil”. O documento contribui para uma melhor compreensão da realidade obstétrica no país.
A representante da OPAS/OMS, Monica Padilla, apresentou os dados e destacou a importância da atuação conjunta com o Cofen para a qualificação da assistência. De acordo com relatório State of the World´Midwifery (SoWMy) 2021, há uma escassez de cerca de 900.000 obstetrizes em todo o mundo. Nas Américas são 160 mil profissionais (1,9 por 10 mil habitantes). Estima-se que intervenções qualificadas da Enfermagem Obstétrica possam salvar anualmente 4,3 milhões de vidas em todo o mundo.
A pesquisa identifica a necessidade de formação de mais enfermeiras obstétricas e obstetrizes no Brasil. As profissionais são responsáveis pela atenção ao planejamento familiar e assistência ao pré-natal, parto e puerpério.
O Brasil vive uma transição demográfica, com baixa taxa de natalidade abaixo do nível de reposição populacional. O país apresenta taxa alarmante de cesarianas e significativa mortalidade materna, que pode ser minimizada com a melhoria da assistência pré-natal. Somente em 2019, quase cinco milhões de mulheres deram a luz, com 56% dos partos realizados por cesarianas. Na América Latina este número cai para 42,8% e a média global é de 21%.
Dados fidedignos são fundamentais para a construção de políticas públicas. “Estamos muito felizes com essa parceria, pois conseguiremos ser mais propositivos para que a comunidade científica e os profissionais de Enfermagem tenham essa base de dados”, disse Elisabete Paz, que integra a comissão do 2º Laboratório de Inovação em Enfermagem, promovido pelo Cofen e pela OPAS. “A necessidade de juntar dados e trabalhar informações nos inspirou em ações, como criação do Observatório da Enfermagem”, reforçou ex-presidente do Cofen, Nádia Mattos, que também integra o Laboratório.
A pesquisa iniciou-se em 2019, com um grupo de trabalho formado pelo Ministério da Saúde, Cofen, ABEn, Abenfo, Ministério da Educação, Opas/OMS, Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e OPAS/Brasil.
Com a aprovação do Infográfico Fotografia do Brasil, novos estudos estão previstos para o setor, com vistas a melhorar a disponibilidade e acessibilidade dos profissionais de Obstetrícia, além de enfermeiras e técnicas de Enfermagem no país.
Base Legal – A atuação qualificada da Enfermagem Obstétrica é um dos pilares da Política de Humanização do Parto e Nascimento (PHPN) no Brasil, estando associada a redução da prematuridade e intervenções iatrogênicas. A assistência à gestante, o acompanhamento do trabalho de parto e a execução do parto sem distócia estão entre as atribuições dos enfermeiros enquanto integrantes das equipes de Saúde, conforme o artigo 11 da Lei 7498/86. Os enfermeiros obstétricos e obstetrizes, especialistas em parto normal, têm autonomia profissional na assistência, conforme o artigo 9º do decreto 94.406/87.
O registro de especialidade em Enfermagem Obstétrica é isento de taxas e deve ser feito no respectivo Conselho Regional de Enfermagem (Coren). O registro é importante tanto para o dimensionamento das políticas públicas quanto para a ampliação da rede credenciada na Saúde Suplementar.
Fonte: Ascom - Cofen
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