21/01/2021

Ministério da Saúde tira do ar aplicativo que recomendava “kit covid”

Ferramenta recomendava "tratamento precoce" com remédios sem comprovação científica contra a covid-19

O aplicativo “TrateCov”, criado pelo Ministério da Saúde, saiu do ar nesta quinta-feira (21/1). A plataforma, recém lançada, foi desenvolvida para auxiliar profissionais de Saúde a diagnosticar pacientes com sinais de covid-19, mas recomendava o “tratamento precoce” com remédios sem comprovação científica contra a doença, como a cloroquina e hidroxicloroquina.

O aplicativo chegou a indicar cloroquina até para um paciente de 1 ano, 8 quilos, 70 centímetros, que apresentava sinais de fadiga por apenas um dia. Os dados são do gato Moreré, mascote do jornalista Felipe Betim, mas poderiam ser de uma criança da mesma idade.

O repórter do El País testou a plataforma, colocando dados do bichano. O aplicativo não exigia preenchimento do CPF do paciente. De acordo com o Ministério da Saúde, Moreré poderia receber, ao longo de cinco dias, 6 comprimidos de Difostato de Cloroquina 500 mg; 12 comprimidos de Hidroxicloroquina 200 mg; 1 comprimido diário de Ivermectina 6mg; 5 comprimidos de Azitromicina 500 mg; 10 comprimidos de Doxiciclina 100 mg; ou ainda 14 comprimidos de sulfato de zinco por 7 dias.

O infectologista Fernando Chagas, em entrevista ao portal G1, alertou para complicações associadas ao uso destes medicamentos. Chagas apontou para a falta de evidências que comprovem a eficácia do  “tratamento precoce” para casos de infecção pelo novo coronavírus e alertou sobre a probabilidade dos medicamentos, usados na prevenção e na fase inicial de contágio, provocarem outras doenças. O próprio criador do “kit covid”, o oncologista Guido Céspedes, morreu em decorrência da doença.

Ofício do Conselho Nacional de Saúde encaminhado ao Ministério da Saúde na terça-feira (19/01) pediu a revogação de instrumentos incentivando o uso de medicação contra a Covid-19 que não tenham sido aprovados pela Agência de Vigilância Sanitária.

Fonte: Ascom Cofen, com informações da Anvisa, G1, CNs e El País