13/01/2022

Testes apontam eficácia de diferentes máscaras de proteção

Máscaras N-95/PFF-2 são muito mais eficazes na contenção do coronavírus; ajuste correto é crucial

Acessório indispensável durante a pandemia, as máscaras de proteção respiratória, antes restritas ao ambiente hospitalar e de construção civil, se tornaram presença constante na paisagem urbana durante a pandemia. Os diferentes modelos de máscara têm sido alvo de pesquisas que buscam avaliar sua eficácia como barreira ao coronavírus, e outros surtos infecciosos, como a recente onda da gripe H3N2 que se espalha por vários estados brasileiros.

Estudo divulgado em dezembro pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, confirma a eficiência das máscaras. Artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) constatou que, mesmo a 3 metros de distância, uma pessoa não vacinada contra a covid-19 e sem máscara leva menos de cinco minutos para se infectar com o novo coronavírus a partir da respiração de um portador do vírus que também esteja sem o acessório de proteção.

Se essas mesmas pessoas estivessem usando máscaras de padrão PFF2 – também conhecidas como N95 –, bem ajustadas ao rosto, a chance de transmissão, com quatro vezes mais tempo de contato (20 minutos), seria de apenas 0,1% – ou seja, uma chance a cada mil. O estudo, liderado pelo pesquisador Eberhard Bodenschatz, concluiu que os modelos PFF2 conferem proteção 75 vezes superior às máscaras cirúrgicas. Mas elas também são eficazes, se usadas coladas ao rosto, reduzindo o risco de contágio para, no máximo, 10%. Foi este o modelo objeto de compra emergencial do Cofen em março de 2020, para salvar a vida de profissionais de Enfermagem, no contexto de escassez de EPIs. Repassadas a Conselhos Regionais de Enfermagem, as máscaras foram distribuídas em serviços de referência de covid-19.

Uma das investigações mais abrangentes sobre a eficiência das máscaras faciais, realizada pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), avaliou 227 diferentes máscaras – desde as feitas com tecnologia de ponta, como as de padrão PFF2/N95, até as costuradas em casa.  Os resultados foram publicados na revista Aerosol Science and Technology em abril de 2021.

Ao verificar a capacidade de filtragem de partículas e a respirabilidade das máscaras, os pesquisadores combinaram dois valores e calcular um fator de qualidade (FQ) para cada modelo avaliado. Os resultados comprovaram a importância do uso das máscaras e trouxeram detalhes sobre a eficiência dos diferentes tipos de cobertura facial.

Considerando somente a eficácia do filtro, as máscaras que mais se destacaram foram as PFF2/N95, barrando a passagem de 98% das partículas nos tamanhos testados (de 60 a 300 nm). As máscaras cirúrgicas apresentaram 89% de capacidade de filtragem e as de TNT (tecido não tecido, material obtido por meio de uma liga de fibras e um polímero) formado por três camadas (conhecido como SMS) filtraram 78% das partículas. Máscaras de algodão apresentaram menor retenção de partículas (entre 20% e 60%) porque a trama do tecido deixa mais espaço entre os fios. Se houver costura nessas máscaras, aumenta ainda mais o risco de passagem de partículas que carregam o vírus.

“Mesmo que alguns modelos tenham um fator de qualidade muito baixo, é importante lembrar que qualquer máscara é melhor do que não usá-la. Embora dentro do espectro das máscaras haja modelos melhores e piores, eles continuam sendo todos eficientes”, diz o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR.

Fonte: Ascom Cofen, com informações da Fapesp